sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

suplica vê o mar!

O navio rapidamente se afastou das cercanias de São Miguel do Guamá, Os ventos eram muito fortes e a correnteza formidável.
Na praça de comando Fernando gritava para o timoneiro as coordenadas e o Suplica ainda estava meio atarantado, e, como que embevecido pelo ambiente que ora se lhe apresentava completamente desconhecido e impressionante, era um barco muito grande!, vários andares, luz elétrica a bordo, música, tinha até televisão, que o Suplica só tinha visto quando foi com a Mulata lá na casa do Dico Lopes, e isso de longe!, mas agora era tudo de pertinho!, tinha muita gente a bordo, quartos, muitos quartos! Um povo bem vestido, parece até que estavam indo pro círio de Nazaré!. Pois não era! Era uma gente esquisita, falava umas palavras que o Suplica não entendia, não tinha ninguém que o Suplica conhecesse, ninguém!, reparou, reparou, viu uma mulher seca lá longe foi atrás, pensava que era a Mulata, mas não era. Veio um sujeito vestido de branco com um andar esquisito, parecia que o sapato se arrestava no soalho pra perto dele com uma bandeja e ofereceu um copo de bebida que o Suplica aceitou, e era suco de laranja, isto foi legal, porque ele já estava sentindo muita sede, bebeu rápido e pediu para o moço um copo de água, ficou alegre, o japonês entendeu o que ele falava, o que lhe deu uma vontade de fazer perguntas, mas o japonês foi atender outras pessoas, e ele não quis pagar mico.
Então o Suplica resolveu explorar aquele barco tão grande, que mais parecia uma cidade! Tinha tudo! Mulheres muito bonitas passeavam pelo salão que estava em festa, o Suplica não sabia porque?. Também não perguntou! Desceu uma escada, outra escada, mais outra, outra até que chegou num lugar onde os motores trabalhavam, motores muito grandes, davam uns dez do que estava instalado no Correio de Irituia, o barco do Almeida que fazia linha pra Belém, as peças do motor brilhavam de tão limpas e ele sentia na fisionomia dos marinheiros um certo orgulho que ele compreendia muito bem.
Visitou o restaurante, a sala de jogos,  tinha até uma piscina naquele barco!, o Suplica não sabia para que? Uma piscina num barco! Ele que estava acostumado a tomar banho  nas águas da Mãe do Rio! Pra que uma piscina num barco?.
Então o Suplica  resolveu subir para onde estava o Fernando, o piloto que agora que ele estava conhecendo direito, era um sujeito de uns 40 anos talvez, não era alto, bem apessoado, falava e ele compreendia, mas, quando falava com aquela gente da língua esquisita e ele não compreendia nada. O Suplica pensou até que estivesse sonhando,  porque vinham nas sua lembranças certas imagens, da Mulata, do Mestre Verequeti, do Padre Marino..... Ou será que aquelas imagens é que eram o sonho ?. Queria perguntar para o  Fernando, mas percebeu que o Fernando no trabalho era muito chato, então ficou quieto.
Deu uma espiadinha para o lado de fora do barco e ficou assustado!
A água era verde, parecia até aquela da garrafa de anizeta, um tipo de cachaça que ele tinha bebido na casa do mestre Nestor,  mas era muita água, tinha umas ondas que subiam, subiam, mais alto do que o barco, e olha que o barco era muito alto! E ele olhava para todo lado e só via água,  ai ele perguntou para um dos tripulantes, se não tinha perigo do barco afundar, e o marinheiro respondeu que o NAVIO era muito seguro, e disse:
Não chame mais de barco para o nosso navio, o comandante não vai gostar! Ora, é uma desconsideração chamar de barco para este tremendo Vaso que singra os sete mares, já navegou pelo mundo todo, conhecido e desconhecido!
E se afastou. E o Suplica ficou com vergonha de perguntar mais alguma coisa para alguém. Ficou quieto, foi pro quarto, que o marinheiro disse que era cabine, se deitou, olhou pro teto branco do navio e adormeceu.....




Foi celebrada uma missa no arraial de Santa Luzia, a banda do mestre Eugênio estava presente no coro da Igreja,  e entoava ....Queremos Deus um povo aflito....., e o padre Marino falava em latim as ultimas preces, e o Manoel do padre lá na sacristia já estava  pegando o dinheiro dos batizados, a Mulata estava fazendo a comida do padre lá no chalé e o Baião já estava porre lá na taberna do Mário Pacheco, e o mestre Dico Lopes estava se preparando para fazer um discurso político, ele que agora era vereador  lá em Irituia!.
“Seguinte, nun su puliticu mas como vocês me elegeram vou honrar o dinheiro que recebo, nem sequer é dinheiro que se possa dizer, mas vou trabalhar para que vocês, que são o meu povo; vocês que são os meus amigos, que votaram em mim, que me colocaram lá, nunca se arrependam! Vou fazer a estrada chegar aqui no arraial. E vocês vão me ajudar, se não tiver máquina, que a prefeitura nunca tem, nós vai fazer no cabo da enxada, nos compra gurijuba e a Mindoca com a comadre Mulata faz uma feijoada, e a nossa estrada sai! Ah! Se sai, então....

Ai o povo não deixou o Dico Lopes terminar o discurso, carregaram ele no ombro e percorreram as ruas da vila e cantavam, e gritavam, e, e, ah, sim bebiam cachaça

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Histórias da Mulata.


                           - Histórias da minha terra
II.

Mãe Candoca continuava dançando, bebendo cachaça fumando cachimbo e batendo seu maracá na beira do Rio Guamá,  já com toda a roupa molhada pelas águas violentas que chegavam com barulho ensurdecedor da Cachoeira de São Miguel ali junto. Mas tia Candoca não arredava pé, há mais de 12  horas não comia nada, não parava de dançar nem de fumar, nem de beber cachaça nem de bater seu maracá. Sacudia a pena de arara vermelha na ponta da sua vara  sagrada de bambu e cantava seu ponto...
É do mar e é da terra..
                 E é no balanço do mar.
 É do rio e da floresta
                   E é  no balanço do mar.
É de Oxoce e de Xangô
                    E é do mar
É a cabocla Janaina
                     Ela é do mar
Vem  mostrando seus encantos
                   E é do mar...............................
E seguia firmando seu ponto e os filhos de santo respondendo: E é no balanço  do mar... De vez em quando o cambona defumava mãe Candoca, e a Filha de santo mais velha lhe passava cachaça na testa, e o barulho das águas da cachoeira se misturava naquela toada marcada pelos atabaques.
De repente chega lá o Miguelão,  delegado da polícia de São Miguel, ele queria saber o que tinha acontecido com o Suplica, que tinha vindo para os trabalhos, pulado nas águas da cachoeira, já faziam quase doze horas e não aparecia, nem o corpo, ele queria explicação.
-“Suncê é qui é otoridade e a mim é qui mi pregunta? Janaina pode te garanti que quando cumpletá 24 horas ele vem pra riba! Se suncê  quizé ir no traz dele ele istá lá, imbaxo na cachoêra, mas pra suncê ir lá, tem qui si incantá premero! Vai incará?.
I ela é do mar.
Ela é do mar....
“ Os parentes já estão procurando o corpo rio abaixo e rio acima, mas eu vou voltar aqui nove horas, ah se o Suplica não aparecer! Eu boto vocês na cadeia!. Eu boto!” “ depois, nem adianta vocês  me afrontar com o Júlio Bastos que não vai funcionar! Não vai não!”
E os trabalhos continuavam, e a cachaça corria solta, mas, mesmo lá, só a Mãe Candoca que incorporada não parecia preocupada, os freqüentadores, até os filhos de santo, já não mostravam o mesmo otimismo de horas antes. O rio caudaloso, a força das águas na cachoeira, e a maneira como o Suplica  se jogou nas águas, não colaboravam para que se esperasse um final agradável.
O Suplica, desde bem jovem sempre apresentou um distúrbio pelo menos  esquisito. Estava conversando normal ou em outra atividade, as vezes até comendo, quando de repente se jogava no chão e saia rolando em direção ao rio mais próximo – ele morava junto do rio Mão do Rio- lá, levava horas nadando geralmente pelo fundo do rio, passava por espinheiros, urtigas, e, quando voltava a si, não apresentava nenhum ferimento, parecia acordar de um profundo sono, pedia um copo de água, e, pronto estava normal.
Já tinham procurado vários médicos lá em Belém, tomado remédios da botica, visitado centro espírita, se consultou até com o Rafaelzinho lá do Lar de Maria, médium bem conceituado que tinha até um programa   no Rádio Clube,  mas o Suplica  continuava com os ataques.
Ele era acostumado a pescar sempre só, mas ensinou o Batista a pegar jacundá , O Batista vinha pilotando a canoa e ele riscava a água com uma pena de arara vermelha na ponta de um caniço, e o peixe pulava dentro da canoa, um dia pulou também uma cobra, e era de bom tamanho, e o Batista dizia que tinha o olho verde, muito verde, parecia até ter fisionomia duma boneca, mas o Batista não estava nada interessado em admirar olho de cobra, então pegou o remo e largou em cima da cobra, o Suplica se jogou entre ele e a cobra, e o remo pegou bem no ombro do Suplica que ficou muitos dias machucado. Quando se levantou  estava com a cobra no pescoço, que mais parecia um gato de estimação. Ele abaixou o braço e ela deslizou por ele  para a água. O Batista jura que viu lágrimas nos olhos do Suplica.
Todas as vezes que ia tomar banho no rio, sempre voltava com uma enfiada de peixes,  só que ele não levava caniço nem nada, sempre foi um bom pescador, quando ia só, de parceria não tinha tanta sorte assim,  era panema.
Mas a seqüência de ataques deixava a família preocupada, tinham medo que morresse afogado, por isso, sempre procuraram ajuda de muitas maneiras, beberam de muitos cálices: espiritismo, curandeiros, banho de sipó pucá, defumação de casca de cedro, usava um escapulário de alho macho feito pela Mulata consagrado pelo bispo na festa da Padroeira, o bispo gritava, levantem seus objetos, e a Mulata levantava o escapulário, mandaram até o padre Marino benzer ele, e nada! Foi quando o Furtado disse que era visinho de uma experiente muito boa que morava defronte de São Miguel, tinha vindo duma aldeia, que ele não sabia qual, mas já tinha curado muita gente. Até o Didi que sofria muitos anos de hemorróidas, já havia sido desenganado pelo doutor Fonteles, e ela curou!. Dizem até que curou o Padre Ângelo que tinha doença do peito, e que ficou bom. Não me acreditem, mas há alguém que jura ter visto nas caladas o reverendo atravessar a ponte com o vestido  de chita da Cotinha. Não me acreditem! Padre não vai em terreiro, ou vai?. E porque tinha de vestir uma saia de chita?
Aí  a Mulata levou ele para uma consulta.
Mãe Candoca deixou  o giráu onde estava cuidando duns peixes e , diz a Mulata que ela se jogou, ou melhor, foi arremessada para de baixo de um coqueiro onde tinha a casinha do Tranca Rua, com uma vela vermelha queimando, Rapidamente apareceu uma moça com uma garrafa de cachaça  que começou logo a passar na Mãe Candoca, colocou um manto de pano verde em cima dos ombros, levou lá pra um salão todo cheio de bandeirinhas, vermelhas, azuis, verdes pretas brancas, todas as cores, em cada canto do salão tinha uma vela acesa, e a cambona acendeu mais quatro, e defumou  com um turíbulo feito de lata de leite ninho a Mãe Candoca, agora já sentada no seu sofá de sipó titica, que falou pra cambona:
- Não te disse que ele vinha?.
Mãe Candoca se levantou do sofá de vime, foi no altar, beijou a fita do Ochoce, a de Xangô, pegou um manto que estava no ombro da imagem de Yemanjá, veio em direção do Suplica, colocou no ombro dele e falou:
-          Se sabe qui tem uma missão pra cumpri, nun sabe mu firo?
E o Suplica balançou a cabeça.
-Intão suncê marca cum meu cavalo .
-E Janaina vai simbora
  e ela vai pro mar
-E é no balanço do mar
 e ela é do mar.
A Mulata não entendeu porque depois que a médium cumprimentou o Suplica, bateram peito com peito, falaram “saravá”, o encantado se deitou nos pés do Suplica e ele a levantou, como se quisesse colocar no colo, e naquela hora, a Mulata jura que sentiu gosto de água salgada na boca,  mas  o rio Guamá é água doce, aconteceu um vento tremendo, e o Santo largou Mãe Candoca.
O cambona veio rápido  passar cachaça na testa da médium que parecia desacordada, defumou, e mãe Candoca parece que despertava de um profundo sono, olhou todo mundo em volta, cumprimentou a Mulata, pediu um copo de água,ofereceu café, e pediu para o cambona  trazer a espada de São Jorge , que era uma toalha de lamê vermelho, foi lá para o altar, se ajoelhou, bateu com a cabeça no chão, fez lá uns salamaleques, pediu um defumador, chamou o  Suplica, pediu para que Não fechasse os olhos e o defumou.......
Passou cachaça na mão dele, fechou os olhos, entoou uma canção, tipo lamento e se incorporou novamente.
O encantado disse ser um guia chamado Seu Tupinambá e que na próxima sexta feira, dia de Xangô estaria esperando por ele naquela tenda, e que um guia experiente, o marinheiro Fernando estava ali junto para acompanha-lo na missão, ele não ia, porque era um índio da floresta, e só tomava banho nas noites de São João, e a missão do Suplica era visitar D. Janaina no seu palácio que ficava debaixo da grande cachoeira, então nada melhor que um marinheiro para acompanhá-lo, viesse preparado, não se unisse com cunhã 72 horas antes, tem tomasse marafo, na sua saída de casa acendesse uma vela  pro anjo da guarda, uma vela branca, e outra pra Maria Santíssima, não pra Yemanjá, para Maria Santíssima mesmo, a mãe do  Homem da Cruz,  e que isto era muito importante para  que não se esquecesse. Falou que o cavalo, no caso mãe Candoca, a partir daquela hora não podia mais colocar alimento sólido, nem bebida, só água, e, só se unir com o perna de calça depois das 10 horas da noite de sábado quando terminava a missão do Suplica, ai, sim, todos podiam fazer festa, até a Mulata.!
Se despediu, cantou seu ponto e subiu.


A cidade estava em festa. A iluminação imponente do colégio São Miguel  Arcanjo, debruçado sobre as águas do rio Guamá, refletiam um jogo maravilhoso acompanhado pelo balanço das águas da grande cachoeira, todas as cores do arco íris, e mais algumas, azul, vermelho, verde, até lilás que era a cor da moda,  contribuíam na beleza das homenagens que se prestava ao padroeiro. No arraial, vendiam comida típica, tacacá, maniçoba, caruru, assai com pirarucu frito churrasquinho e cerveja, muita cerveja, no coreto j
A tinha se apresentado o Pinduca dançando carimbo e mestre Verequeti e a banda do Mindico, que com o seu saxofone fazia a festa no coreto. Ai, apareceu perto da praça um carro preto.
Dá licença, dá licença, deixa o deputado passar!
E ele passou!, era o Jader Barbalho e o prefeito Hélio Papudinho!
Meus eleitores, eu não poderia deixar de comparecer nesta cidade, na grande festa do padroeiro, e nem podia deixar de prestigiar  o .......
E os sinos começaram a tocar, era o Padre Ângelo convidando para   e  a última noite de novena, e o povo do arraial deixou o deputado com o seu discurso e seguiu,  era muita gente, a polícia militar disse ser umas 800 pessoas,  mas,  um político do lado do deputado calculou de acordo com a sua experiência mais de 2 mil, e seguiu, não no rumo da igreja, mas começou a seguir pela Belém-  Brasília no rumo do rio Guamá, na direção da casa da Mãe Candoca, na frente  o Pinduca dançava e cantava o carimbo:
Gavião pegou a pomba.
Pegou a pomba no ninho.
É pena, meu mano e pena,
É pena de passarinho.

E o Pinduca se sacudia  na estrada e o povo acompanhava dançando e respondendo:
É pena meu mano, é pena
É pena de passarinha.
.
Atravessaram o rio, viraram para a direita, e seguiram para o terreiro da Mãe Candoca, todo enfeitado de bandeirinhas, e a negrada suada nos atabaques, vieram receber o Pinduca e botaram o mestre Verequeti na frente do congá, que também entoou um ponto, e o povão delirava no som frenético do carimbo, tendo a lua e as águas da cachoeira como testemunhas,


III



Diversas entidades do mundo encantado já haviam visitado o terreiro nessa noite na cabeça da Mãe Candoca; Cabloca  Jurema, Jarina, Seu Tupinambá, até duas crianças encantadas, Cosme e Damião, que quase acabam um kilo de pirulito, e agora, Verequeti cantava seu ponto e Mãe Candoca  atuada estava sentada na sua cadeira de Vime, tinha recebido seu Chapéu de couro, e estava dando consultas.
O Suplica, estava quieto sentado numa cadeira vestido todo de branco, calça branca, sapato branco, meia branca, uma camisa branca manga comprida que a Mulata  trouxe emprestada do Toninho do Areia, e um cinto feito com uma tira de setim azul, e o chapéu de panamá do mestre Nestor, por causa disso, a Maroquita tinha se desentendido e já queria bater na Mulata, porque estava achando o traje do Suplica esquisito, ela não concordava do Suplica andar nessas coisas de macumba, ela que era cantora da Igreja da Piedade, aluna da professora Órfila, jamais iria concordar com esse tipo de comportamento, e acusava a Mulata de ter trazido o Suplica pro terreiro, ainda mais com aquela roupa ridícula, que mais parecia um maricas.
Verequeti cumprimentou todo mundo, saravou quem era de sarava, abençoou quem era de abençoar, abraçou o Mindico, beijou a bochecha da Mulata, ralhou com a Maroquita e desceu para onde estava o Pinduca,  Mãe Candoca se levantou, foi no altar, cantou o ponto de despedida do Chapéu de Couro, e tremeu, tremeu muito, tremeu mais, e cantou:

Marinheiro,  marinheiro,
Quem te ensinou ,
quem te ensinou a nadar,
Foi o tombo do navio,
Ou o balanço do mar.

Aquela gente diz que sentiu gosto de água salgada na boca, só que o que eu sei, é que o Marinheiro Fernando chegou....
A cambona defumou, trouxe uma espada azul com uma âncora desenhada com linha branca e um quepe branco de marinheiro...
O  encantado cumprimentou a cambona e foi também cumprimentar a Serafina, que era a vidente, dizem que ela vê os encantados, ensinou um remédio pra sua dor de cabeça,  falou pra  Mulata não esquecer de alimentar o Tajá, e se dirigiu para o Suplica, Saravou e perguntou:
Como é marujo tás pronto? Eu só vim aqui para atender o Índio Velho, mas já vou me embora, que o meu negócio é ofichóa, tirou o chapéu de panamá da cabeça do Suplica e colocou na cabeça, e na cabeça do Suplica pôs o quepe de marinheiro, tirou a sua espada de setim azul, e colocou no pescoço do Súplica, recebeu outra de cor verde das mão da cambona, abraçou a Serafina  e cantou seu ponto de despedida, encostou a testa na testa do Suplica, e tornou a tremer, muito mais do que na chegada, nessa hora, desceu sobre São Miguel um tremendo aguaceiro, Mãe Candoca tremia, o Suplica começou a tremer também, e Mãe Candoca parecia ter desmaiado nos braços da cambona e da Serafina, e o Suplica, como que voou. Voou mesmo, por cima do parapeito da casa, e foi cair lá no meio do rio Guamá. Eram dez horas da noite, sexta feira, dia 13, a lua cheia estava na altura das onze, mas chovia, chovia a cântaros em São Miguel do Guamá.!

Mãe Candoca se recobrou, tornou a se atuar, foi defumada pela cambona, bebeu uma cuia  pitinga cheia de cachaça, repetiu, pegou sua pena e seu maracá, desceu a ladeira pra beira do rio, mas antes disse pro pessoal que fazia sereno:
Assim como ele foi, assim ele volta. Saravá  Ogum!


Km.40, abril de 2.010
.


                                                                                                                        

                                                                                                                                 

                     José Lopes Tavares
                        O “V

domingo, 25 de setembro de 2011


Um sonho que se realiza

Pois é!

Eu sempre tive um sonho  para a minha velhice.
Sonhava em morar no interior, perto de um rio onde pudesse pescar, e ter um transporte próprio.
Não era vaidade não! Era, digamos um certo cuidado! Sabia da necessidade de um transporte para me levar de noite para o hospital  nos momentos de crise que a idade oferece, e, também pra o meu proselitismo com visinhos etc.
Mas agora, surgiu a oportunidade! O gerente do meu banco, Dr. HERCULANO LOBO DA PRAIA, só para me ajudar, disse que aprovaria o meu cadastro para que eu comprasse uma KOMBI para que eu pagasse 1.400 reais em 60 meses, só pra me ajudar ele ficaria com a casa onde eu moro  como entrada. Negócio feito!
Comecei a MEXER OS PAUZINHOS  e fui dar uma espiadinha na minha futura viatura, ai, um bendito de um vizinho me falou que o carro era muito bonito, dava pra carregar 17 eleitores, mas, onde eu iria guardar essa belezura! E a Lourdes, ah! A Lourdes! Me fez lembrar que a casa ia com a compra da possante.
Então, MEXI OS MEUS PAUZINHOS e decidi que compraria um carro usado; meu gerente, só para me ajudar, disse que um amigo dele tinha um FIAT 147, MUITO BOM, e,, só pra me ajudar,  FICARIA COM A MINHA FILMADORA, MEU FOCADOR DE IMAGEM NA PAREDE E O MEU BLACK BERRY  como entrada, e autorizaria um empréstimo de 10.000 reais para eu pagar em 24 meses,
Mas ai, apareceu o Zé, o irmão da Lourdes e me disse que um carro dá uma despesa tal qual uma família, e um carro, digamos, não novo como esse, era como se fosse uma puta, assim como gastar com puta nunca faz dela uma senhora, assim carro velho, nunca vira NOVO!. Ah! O Zé!
Então pensei, só eu e a Lourdes, o certo mesmo é uma MOTOCICLETA! Fui buscar a moto!
Lá na loja, dei de encontro com a minha sobrinha lamentando, que tinham tomado sua moto na estrada da roça, e ela, por causa disso, JÁ NÃO PODE MAIS CASAR MAIS DE VÉU E GRINALDA! Desisti da moto.
No café da manhã eu falei; vou no 48 e ai eu compro uma CARGUEIRA posso ir sentadinho na frente e a Lourdes me leva pra pescar ou pro médico.
O Dico, o dono da taberna, me deu uma carona, e me disse que bicicleta eu já tinha, o melhor mesmo era um carro de mão. Um gazarra, e ele, SÓ PRA ME AJUDAR  receberia o meu FOCADOR de Imagem na parede  e, quando eu pudesse, e sem pressa, pagaria pra ele 150  paus!
Falei pra Lourdes, das vantagens de não ficar devendo  e ter digamos, um utilitário para os meus serviços do dia a dia; mas a Lourdes!, me disse que era uma besteira! Porque só ia servir pra emprestar pro Bagulhudo, o pedreiro que mora aqui em frente, e, quando fosse preciso cadê carro! Então......
Concordei com a Lourdes!
Mexi os meus pausinhos e arrumei dois pedaços de tábua de meio metro de comprimento, e o Chico Branco pregou uma vara de dois metros em cada lado e fez pra mim uma PADILOLA!  E eu pintei de azul!
Pras minhas pescarias, ou para o hospital que fica a apenas oito kilometros de casa, me sento acomodadinho na minha padiola, e a Lourdes e a Deborah me transportam com muito conforto e  FACILIDADE!
Fiquei até mais conhecido ainda aqui na Mãe do Rio!
Quando passo todos comentam, em voz alta!
LÁ VAI O VELHO BUDA PESCADOR!
Km.40, agosto/2011 – Tavares
                                         O Velho Pescador

segunda-feira, 22 de setembro de 2008



ESSE É O VELHO PESCADOR SEU AMIGO DE SEMPRE.!!!
O Velho Pescador é um Blog Interativo,que visa dentre outras ações,refletir e compartilhar:Conhecimentos,Pensamentos ,Filosofia e Ideais de vida Feliz.